Riscos psicossociais na NR-1: faltam 47 dias para regra entrar em vigor

A partir de 26 de maio, empresas terão de incluir riscos psicossociais, como assédio, sobrecarga e falta de autonomia, no gerenciamento de riscos ocupacionais

Faltam 47 dias para a entrada em vigor da nova fase da Norma Regulamentadora no. 1. A exigência de mapear riscos psicossociais na NR-1 vai obrigar empresas a incluir fatores como assédio, sobrecarga e falta de autonomia no gerenciamento de riscos ocupacionais.

Na reta final para a vigência da norma, o Ministério do Trabalho e Emprego lançou a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Canpat) 2026 com foco em saúde mental no trabalho e oficializou um manual com orientações para a aplicação da regra.

A partir de 26 de maio, fatores como assédio, sobrecarga, metas excessivas, falta de apoio da liderança e baixa autonomia deverão constar no inventário de riscos das empresas, dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A exigência decorre da atualização da nova NR-1 e passa a valer com fiscalização da Inspeção do Trabalho. Empresas que não se adequarem podem ser autuadas e multadas; em situações de grave e iminente risco, a fiscalização ainda pode determinar embargo ou interdição.

O movimento do governo ocorre em meio ao avanço dos afastamentos por transtornos mentais e comportamentais. Os dados mais recentes da Previdência Social mostram que, em 2025, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária por esse motivo, alta de 16% em relação a 2024. Transtornos ansiosos e episódios depressivos lideraram as concessões.

Dados da Think Work ajudam a dimensionar esse cenário dentro das empresas. Em pesquisa com 700 respondentes, 41% dos profissionais disseram não viver dias plenamente bons, 38% relataram ter sofrido assédio na empresa, 61% afirmaram ter tido medo de demissão e 33% disseram continuar recebendo demandas de trabalho após o expediente, sinal de um ambiente com risco psicossocial elevado.

Na prática, a nova exigência sobre riscos psicossociais na NR-1 obriga as empresas a identificar, avaliar, registrar e monitorar esses fatores dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), ao lado de riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. O PGR deverá conter inventário de riscos, grupos expostos, plano de ação, responsáveis, prazos e acompanhamento contínuo.

Para as empresas, a mudança reduz o espaço para tratar saúde mental no trabalho apenas no discurso. A lógica da norma é de prevenção, documentação e rastreabilidade. Sem isso, o tema deixa de ser apenas reputacional e passa a ter implicações regulatórias e trabalhistas.

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