Encontro de cinco dias foi a resposta a necessidade da empresa de estabelecer conexões reais entre os funcionários, mesmo em home office
Por Camila Pati
Fundada em 2019, a startup Pipo, especializada em benefícios de saúde, tinha o trabalho presencial como regra. O modelo, porém, durou pouco. Com a pandemia, no começo de 2020, a companhia foi obrigada, assim como grande parte das empresas, a migrar sua operação para o modelo remoto.
A mudança forçada por conta das restrições de circulação impostas pela covid-19 acabou se mostrando adequada, então, a liderança tomou a decisão de declarar a Pipo uma empresa primariamente remota, com funcionários em qualquer lugar do Brasil e do mundo.
Várias iniciativas foram criadas pela equipe da Pipo para manter a interação. De reuniões virtuais para cozinhar juntos a uma noitada de jogos online, as ações foram respostas da empresa para a falta de interação social durante os meses mais severos da pandemia.
Nesse cenário nasceu a ideia do Pipoverso. “A gente se comprometeu a fazer um encontro presencial por ano, para que fosse o evento de pessoas da Pipo. E a gente esperou ansiosamente o primeiro momento que a pandemia permitiu, com segurança”, diz Marcela Ziliotto, líder da área de pessoas.
O caminho
O encontro presencial de cinco dias foi uma solução criada para resolver um risco do modelo remoto. “A gente tinha o receio de que as pessoas não criassem conexões reais entre elas e com a empresa”, explica a executiva.
Os recursos para o Pipoverso estavam dados: 230 trabalhadores, uma cultura forte e um orçamento. O primeiro ponto foi trabalhar a expectativa dos funcionários para que a experiência fosse positiva. “Nossa CEO sempre fala que a frustração é a expectativa menos a realidade”, cita Marcela.
Grupos de conversa foram organizados para colher opiniões sobre quais experiências os empregados gostariam de vivenciar. A lógica de construção do encontro foi descobrir as sensações que os funcionários gostariam de ter e a partir daí buscar os meios de chegar a elas, com o apoio de uma designer de experiências e eventos.
Os funcionários receberam em casa um kit com guia de bordo, com orientações sobre preparo da mala e brindes: camiseta, moletom, broche, copo reciclado, caderno para anotações com dedicatória da CEO, tapa-olhos, protetor auricular e envelopes com nome de cada um para facilitar as interações durante o encontro.
A cultura de foco no cliente esteve refletida em muitos aspectos do Pipoverso, que foi construído em esquema colaborativo. Os funcionários puderam desde sugerir as playlists do evento até escolher se preferiam quarto duplo, triplo ou quádruplo.
Em maio de 2022, data do encontro, o medo da pandemia ainda era grande e esse foi um dos principais desafios do projeto. Entre as ações para mitigar o sentimento, a Pipo não obrigou ninguém a participar e escolheu um local com muitas áreas ao ar livre. Todos estavam vacinados.
A operação logística também foi desafiadora: o Pipoverso reuniu pessoas vindas de 56 cidades e três países. Foi preciso buscar parceiros para construir itinerários e gerenciar a chegada de todos.
Toda a organização do evento, realizado em um hotel fazenda de Atibaia-SP, ficou ancorada em seis pilares: momentos de conexão, propósito, oportunidade de vivenciar os valores e crenças da Pipo, aumentar o entendimento do negócio, celebração das conquistas e motivação para o futuro.
Para que as pessoas pudessem, por exemplo, vivenciar o valor da transparência na Pipo, houve uma atividade em que os funcionários podiam pegar o microfone e fazer a pergunta que quisessem para um diretor da empresa, que estava no palco.
As atividades incluíram momentos de energia e relaxamento: dinâmicas colaborativas, esportes coletivos, momentos de reuniões de discussão de estratégia, momentos de concentração, meditação e um dia reservado para a festa.
O projeto da Pipo foi o grande campeão do prêmio Think Work Flash Innovations de 2022 na categoria employee experience.
Resultados
“O Pipoverso foi um marco de conexão”, sintetiza Marcela. A interação entre as áreas melhorou, o engajamento melhorou e a cultura ganhou mais visibilidade. “As pessoas entenderam como a cultura se materializa”, diz.
“Olhamos para cada valor que a gente tinha na empresa, os pontos que mais valorizamos aqui em relação à cultura”, explica Marcela. Cada detalhe deveria reforçar esses pontos. “E isso aconteceu, pelos comentários que recebemos, pelo que vimos”. A nota de satisfação do evento foi de 4,77 de 5.
Quatro meses depois, as pessoas ainda comentam sobre o Pipoverso, segundo a executiva. A edição de 2023 já está em fase de planejamento e, como na primeira, deverá envolver todo o time da empresa e a ajuda de parceiros e fornecedores.
THINK & DO
- Priorize a conexão entre as pessoas, é isso que dará o resultado no trabalho;
- Construa uma narrativa que gere experiências coerentes com a mensagem a ser transmitida e a cultura da empresa;
- Foque a importância da história para as pessoas e, não, em prêmios, eles são consequência.
