Academia de Líderes injeta atitude de dono, vontade de superação diária e habilidade para o diálogo com respeito
No seu planejamento para os próximos anos, a produtora de aço Gerdau incluiu um projeto para capacitar e formar a gestão do futuro. Em 2021, a empresa criou a Academia de Líderes Gerdau, cujo objetivo é fazer da liderança o esteio para o futuro.
Isto é, para dar suporte e conduzir a marca à consolidação almejada, os gestores devem estar preparados para propagar a cultura da empresa, que tem por base um tripé comportamental: dialogar com respeito, superar-se todos os dias e ter atitude de dono.
O caminho
“Para falar aos líderes, em distintos pontos e culturas, contamos com times multidisciplinares e multiculturais no desenho das soluções. Ou seja, para desdobrar essas soluções da forma mais adequada a cada lugar, investimos no desenvolvimento de profissionais locais para garantir maior conexão entre aquilo que queríamos transmitir e a realidade das pessoas”, diz Tiago Carzetta Marchina, global learning manager da Gerdau.
A empresa tem 36 mil funcionários em nove países, com 32 unidades produtoras de aço, duas minas de minério de ferro, assim como 75 lojas. Em 2023, seus 4.411 gestores se dividiam entre Brasil (2.472), Estados Unidos e Canadá (1.638), México (163) e Peru, Argentina e Uruguai (cerca de 150).
O refino dos líderes conta com dois cursos ou trilhas online e um workshop presencial de seis horas. O material segue um mapa de aprendizado que tem por destino final, ou por aspiração, a evolução de cada um e da empresa.
A Academia de Líderes Gerdau se apoia em duas metodologias: na WOOP, sigla para Wish (Desejo), Outcome (Resultado), Obstacle (Obstáculos) e Plan (Plano), bem como nos conteúdos sobre desenvolvimento socioemocional da Universidade da Pensilvânia.
De um lado, com a WOOP, criou-se um plano de ação individual para cada funcionário, em que a meta do diálogo com verdade e respeito deve ser posta em prática. Por outro lado, com a metodologia da Universidade da Pensilvânia, é possível moldar as experiências de aprendizagem ofertadas para obter um melhor encaixe com o público-alvo, os mais de 4 mil líderes da Gerdau espalhados por diferentes países e culturas.
Os conteúdos digitais assíncronos – ou seja, aqueles que cada um consome ao seu tempo, algo que exige autoconhecimento e autodesenvolvimento dos participantes – estão disponíveis em três idiomas, português, inglês e espanhol.
Tanto nos conteúdos assíncronos quanto nos síncronos, a Gerdau teve ajuda externa. Nos primeiros, atuaram empresas especializadas em soluções de aprendizagem digital. Já nos segundos, propalados em um workshop presencial mediado por instrutor, contribuiu uma consultoria externa. “Mas o conteúdo-base e o framework que costura a experiência foi feito pelo time da Gerdau”, ressalta Tiago.
Resultados
De acordo com o gerente de treinamento e desenvolvimento da companhia, mais de 10 mil pessoas devem ser capacitadas direta ou indiretamente pela academia. Esse total inclui profissionais em posição de liderança e administrativos, contemplados na segunda onda da formação – o projeto teve início com os líderes, mas pode se estender.
Os resultados encorajam a Gerdau a continuar. “Tivemos excelentes avaliações de satisfação e da experiência de aprendizagem. Já capacitamos 94% da liderança da empresa em todos os países em que temos operações. Estamos aguardando o próximo ciclo de avaliação de performance e o pulse-check para coletarmos mais dados”, conta Tiago.
Think & Do
Confira as dicas da Gerdau para a criação de um projeto como esse na sua empresa:
- Envolva o seu público-alvo. Não apenas porque ele tem lugar de fala, mas também porque a iniciativa é para ele. Seu público-alvo deve participar de todo o processo.
- Aproprie-se do desenho do começo ao fim. Construa a solução completa, conectando-a com a realidade, assim como com as necessidades da organização.
- Desenvolva os seus multiplicadores. Este foi um aprendizado da Gerdau, que passou a apostar não apenas no conteúdo de treinamentos, mas também em técnicas de facilitação.
