Para a Cora, festival serviu para unir os trabalhadores e reafirmar sua cultura organizacional, já que se trata de uma empresa 100% remota
Por Guilherme Dearo
As quase 500 pessoas que trabalham na Cora, startup de serviços financeiros que oferece contas digitais PJ, trabalham todas de casa, espalhadas por diferentes cidades do Brasil. A ideia da empresa sempre foi ser digital-first, com ou sem pandemia e quarentena. Assim, uma das preocupações da companhia era com a cultura organizacional e a integração e coesão dos times.
“Não temos escritório físico, tudo é remoto”, conta Ana Bandeira, líder de experiência da Cora. “Mas a gente sentia falta de encontrar cara a cara os colegas, os amigos. No final de 2020, surgiu a ideia de reunir os times pelo menos duas vezes por ano, assim todos poderiam se conhecer pessoalmente”, diz.
“Falamos muito da teoria da vulnerabilidade dentro da Cora. Porque as pessoas vestem máscaras para enfrentar o dia a dia do trabalho, criar o seu ‘eu’ no escritório. Então queríamos derrubar essas máscaras, abrir espaço para as pessoas se sentirem vulneráveis e criarem vínculos reais, criarem relações de amizade e confiança” explica Ana.
Segundo ela, dessa forma, a energia gasta para manter essa ‘máscara’ profissional acaba direcionada para funções mais úteis, o que reflete em um aumento de produtividade dos profissionais.
Caminho
Nasceu, assim, o projeto do Festival Tum Tum, evento de uma semana para todos os “corajosers”, como os funcionários da Cora são chamados. A ideia era ser uma semana de integração e amizade, com muitas atividades divertidas e música, como um festival musical, sem pesar a mão em palestras e eventos de conteúdo corporativo que deixariam a experiência ‘muito certinha’ e maçante.
A primeira edição do festival aconteceu em junho de 2022. Durante cinco dias em um hotel em São Paulo, a Cora reuniu 400 trabalhadores.
O primeiro dia foi de chegada, acomodação e descanso, com pessoas vindo de ônibus e avião de diversas cidades. Os três dias seguintes contaram com diversas atividades, incluindo dinâmicas sobre autoconhecimento, vulnerabilidade e meditação. Também fizeram parte do programa painéis sobre sincronia e pensamento sistêmico, com convidados como Peter Senge e Ravi da Target Teal.
Outro foco da companhia foram as dinâmicas para conhecer clientes e também a participação do Instituto Endeavor para falar sobre impacto econômico dos negócios. Para a diversão das equipes, o Tum Tum também contou com karaokê e shows de artistas, como Preta Gil, Gloria Groove e BaianaSystem.
Posteriormente, a Cora fez o Tum Tum Reconecta, evento menor de dois dias, reunindo novamente as equipes para repassar alguns debates e reflexões que aconteceram no festival principal.
Resultados
“A empresa ainda está começando. Recentemente, ela teve um momento de crescimento muito acelerado. Então sentimos que o festival e a segunda parte dele contribuíram para a cultura organizacional. Muita gente ainda não se conhecia presencialmente. Para nós, o resultado foi incrível”, diz Ana.
Segundo ela, muitos funcionários se abraçaram e choraram durante as dinâmicas do festival, o que mostraria uma conexão real se formando entre eles. “Acreditamos muito no poder que esses momentos têm para nos ajudar a construir relações de confiança e o resto é consequência: um ambiente mais feliz, mais leve, com mais segurança psicológica”, analisa.
Após a primeira experiência de 2022, a empresa deve repetir o festival em 2023. Ana diz que a próxima edição pode até ser menor, com outros tipos de atrações artísticas, ou novas atividades, mas certamente não terá cortes em ações que envolvem pessoas. “Elas sempre serão a prioridade estratégica da Cora”.
O time de gestão de pessoas da empresa percebeu no dia a dia do trabalho a mudança de espírito após o festival. “As pessoas vão se cansando ao longo do ano, então, após o evento, sentimos uma dose extra de energia, todos começam a ficar mais animados.”
Ana relata que funcionários mais novos na companhia que ainda estavam um pouco tímidos começaram a participar muito mais das reuniões, por exemplo. “Uma outra pessoa falou que durante o festival ela conseguiu pela primeira vez usar vestido e se sentir à vontade. Essas coisas são muito importantes para nós”.
THINK & DO
- Um projeto como esse exige alto investimento. Então é preciso entender claramente o motivo e o objetivo do evento. História e objetivos precisam estar claros a todos os participantes durante as atividades.
- Garanta a participação e representação de todos os públicos da empresa. Reúna uma equipe diversa para construir o projeto, garantindo que haverá diferentes olhares.
- O tom do evento e as atividades dependerão dos objetivos, mas também do perfil dos funcionários da empresa. Tudo tem que ser intencional e ter a cara da companhia, seja ela mais séria ou mais relaxada. Cada instituição e cada time tem diferentes jornadas e culturas.
