A empresa criou uma rede nacional de embaixadores para integrar culturas regionais, fortalecer o senso de pertencimento e sustentar a identidade organizacional após uma expansão acelerada
A Athena Saúde passou de 25 para 10 mil funcionários em cinco anos, após incorporar dezenas de hospitais, centros médicos e operadoras distribuídos pelo país. A expansão acelerada trouxe um desafio comum a organizações que crescem por aquisições: integrar culturas já consolidadas, respeitando diferenças regionais entre Sul, Sudeste e Nordeste, sem perder a identidade da companhia.
O problema não era apenas alinhar discursos, mas criar uma cultura viva, capaz de se adaptar às realidades locais sem se fragmentar. O desafio central era unir contextos distintos em torno do DNA Athena, preservando identidades e fortalecendo o senso de pertencimento em uma organização de escala nacional.
Para responder a essa necessidade, a empresa estruturou em 2022 o programa Embaixadores da Cultura, uma rede de profissionais que atuam como pontos de influência e apoio na construção e disseminação da cultura organizacional.
O caminho
O projeto começou com um mapeamento interno das redes de influência para identificar profissionais respeitados em suas unidades. O objetivo foi identificar funcionários reconhecidos informalmente como referências positivas em suas unidades, independentemente de cargo ou tempo de casa.
A partir disso, a Athena formou grupos de embaixadores que atuam em ciclos anuais, sempre renovados .Em 2025, foram 73 participantes espalhados pelas localidades da companhia.
A participação no programa é voluntária. Após as inscrições, a companhia faz um mapeamento de rede para entender quem são os influenciadores. Em outra etapa da seleção, o líder deve relatar exemplos concretos de comportamentos alinhados aos valores organizacionais. “Nosso desafio era integrar todas essas culturas e inserir em todos os locais de atuação o DNA Athena, criando uma cultura integrada e que valoriza a escuta do colaborador”, resume Rafaela Johann, gerente de Comunicação da Athena Saúde.
Ao longo do ano de atuação, os embaixadores participam de encontros mensais online, reuniões presenciais regionais e de espaços estruturados de cocriação, como o Labcultura e o Cultura em Diálogo, que conecta funcionários diretamente a C-levels e vice-presidências. A lógica é prática antes do discurso, no espírito do “walk now, talk later”.
“Os embaixadores atuam como porta-vozes da empresa e como agentes da cultura. Se estamos, por exemplo, preparando uma nova campanha de comunicação interna, eles são os primeiros a saber, porque eles vão nos ajudar a falar do tema, tirar as dúvidas dos colegas”, explica Rafaela.
O grupo também participa ao longo do ano do evento Cultura em Diálogo, em que conversam diretamente com C-levels e vice-presidências.
Em uma dessas conversas, em Vitória (ES), por exemplo, os embaixadores relataram a Rodrigo Ladeira, vice-presidente de Recursos Humanos, Qualidade e Comunicação da Athena Saúde, dificuldades na integração de pessoas surdas e mudas recém-contratadas.A partir desse diagnóstico, a empresa estruturou uma capacitação em Libras, hoje em expansão nacional via Universidade Corporativa Athena.
Além disso, os embaixadores atuam na operacionalização de iniciativas estratégicas. No treinamento anual obrigatório de ética e conduta, por exemplo, ajudaram a reduzir barreiras de acesso em unidades onde muitos profissionais, como enfermeiros e equipes de UTI, não utilizam computador ou e-mail durante a jornada, propondo soluções locais que viabilizaram a participação integral dos funcionários.
Resultados
Hoje, o programa conta com 76 embaixadores ativos, distribuídos em 57 centros médicos, 12 hospitais e 7 operadoras em todo o país. A empresa registrou aumento consistente na participação em ações internas, maior alcance das iniciativas de RH e redução de ruídos de comunicação entre unidades.
Segundo a Athena, o uso da Universidade Corporativa foi quadruplicado em 2025, impulsionado pela atuação dos embaixadores como multiplicadores locais. A organização também observou melhora nos indicadores de clima, avanço no eNPS e o melhor resultado de turnover entre todas as suas operações.
O programa impacta diretamente cerca de 10 mil funcionários, incluindo profissionais assistenciais, administrativos e operacionais, e fortalece o papel estratégico do RH ao aproximá-lo das realidades regionais.
Ao substituir campanhas centralizadas por uma lógica de influência em rede, a Athena transformou a gestão da cultura em um processo contínuo, cocriado e ancorado na prática cotidiana dos funcionários. A atuação dos embaixadores contribuiu para integrar culturas distintas e facilitar a adoção de políticas e treinamentos em regiões muito diferentes entre si.
THINK & DO
As dicas da Athena Saúde para criar projetos eficientes de cultura organizacional e que aproveitam o poder da rede de trabalhadores:
– Escute os funcionários. Projetos de cultura funcionam melhor quando partem da realidade local. Ouvir os funcionários, entender rotinas, limitações e particularidades regionais é condição básica para construir uma cultura que faça sentido e seja praticável.
– Renovação e aprendizados anuais. A renovação periódica dos embaixadores permite capturar aprendizados, corrigir rotas e manter o programa vivo. Funcionários que já participaram seguem como influenciadores naturais, mesmo fora da estrutura formal.
– Influência vale mais do que cargo. Identificar lideranças informais amplia o alcance das iniciativas e reduz resistências. Cultura se espalha mais rápido quando é disseminada por quem já tem credibilidade nas redes internas.
