Por meio de parcerias com outras empresas, programa da AkzoNobel oferece capacitação e profissionalização de mulheres no ramo de tintas decorativas
Por Marina Dayrell
Ao estudar o mercado de pinturas, a AkzoNobel, empresa holandesa de tintas e revestimentos sustentáveis, percebeu que há uma sub-representação de mulheres atuando na área. Segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Pintores Profissionais (Abrapp), em 2021 as mulheres eram apenas 10,5% dos membros da entidade.
Com isso em mente, o grupo, que reúne marcas como Coral, Sparlack, Wanda, Sikkens, International, Interpon, Coralit e Alabastine, começou a criar iniciativas para capacitar e incluir mais mulheres no mercado de trabalho, dentro do setor em que atuam.
“Os funcionários da companhia foram desafiados em fóruns internos a pensar em programas de inclusão de mulheres no time de vendas no país. Nas discussões, ficou notória que a inserção feminina no segmento de pintura como um todo é ainda muito discreta”, conta Flávia Yumi Takeuchi, gerente de Sustentabilidade da AkzoNobel LATAM.
A partir daí, foi criado o Coral Mulheres na Cor, cujo objetivo é aumentar o conhecimento e retomar a autoestima feminina, ao profissionalizar mulheres no ramo de tintas decorativas e as inserir no mercado de trabalho.
O caminho
O projeto nasceu de um piloto, feito em 2021, porém com foco na pintura automotiva. “Nesta época, foi desenvolvido um curso para resgatar mulheres em condição de vulnerabilidade e com dificuldade de recolocação no mercado de trabalho, criando um ambiente de oportunidade para que se sentissem acolhidas, protegidas e em processo de reconstrução de suas vidas, por meio de um programa de desenvolvimento profissional e da retomada da autoestima” conta Flávia.
Segundo ela, com o sucesso da primeira edição é que surgiu a ideia de transportar o projeto para a área de tintas decorativas, por meio da marca Coral, que buscou novos parceiros e aprimorou ainda mais essa iniciativa.
Para a primeira edição do Coral Mulheres na Cor, a AkzoNobel buscou como parceiras empresas que participam, direta ou indiretamente, da sua cadeia de produção e que compartilham o propósito de inclusão, diversidade e transformação social.
As parcerias foram divididas em quatro atuações: para o apoio com o ensino e a capacitação, foi feita uma parceria com o SENAI-SP. Na parte financeira, entraram as companhias: Bazar das Tintas, Casacor, Dow, Oxiteno, Tintas MC e Wacker. Já na ponte para a empregabilidade foram convidadas as organizações Atala Engenharia e Abrapp. Por fim, a ONG Fazendinhando foi a responsável pelo apoio na seleção e no relacionamento com as selecionadas.
Foram escolhidas 14 mulheres para o primeiro programa, que durou entre junho e outubro de 2022. A empresa estabeleceu como requisito que elas fossem maiores de 18 anos, tivessem escolaridade mínima do 4º ano do Ensino Fundamental, estivessem desempregadas ou tivessem renda de até um salário-mínimo e que fossem chefes de família com dependentes em idade escolar.
Durante dez semanas, as alunas participaram de 200 horas de cursos que ensinam habilidades técnicas, como pintura, aplicação de efeitos decorativos e novas tecnologias, e, também, habilidades socioemocionais para a permanência delas no mercado de trabalho. Elas também tiveram acesso a mentorias com pintores profissionais experientes.
Como forma de incentivo à conclusão do curso, as mulheres receberam bolsa-auxílio, transporte, alimentação, uniforme, equipamentos de proteção individual e um kit de ferramentas manuais e elétricas para que elas sigam trabalhando na área.
Ao fim da edição, elas foram encaminhadas para processos seletivos nas empresas parceiras e os primeiros resultados começaram a aparecer.
“Uma das dificuldades desse projeto é a mulher ser desacreditada quando tem interesse em atuar como pintora. No entanto, o cenário mudou quando elas ingressaram no mercado de trabalho, e vimos uma grande aceitação das pintoras formadas, por vezes até preferência, por parte dos clientes. Outro desafio que tivemos, mas que também foi superado pelas mulheres que participaram desse primeiro projeto, é o desgaste físico, já que é uma profissão que exige esforço”, explica Flávia.
Resultados
O principal resultado obtido pelo Coral Mulheres na Cor é a ponte com o mercado de trabalho. Das 14 formadas no curso, 10 foram empregadas pela Atala Engenharia, com direito ao regime CLT e, agora, atuam nos projetos de restauração e reforma em condomínios residenciais e comerciais em São Paulo.
O programa também foi importante para a imagem interna da empresa, conta Flávia. “Os trabalhadores ficaram orgulhosos pela iniciativa. Tivemos colaboração de muitos voluntários que se inscreveram para atuar nele, seja como mentores, como auxílio às mulheres ou mesmo nas atividades do projeto”.
Uma nova edição está prevista para começar no primeiro semestre de 2023 e deve ocorrer nos mesmos moldes da primeira. A única diferença é uma estratégia para expandir o programa para outras localidades. Com isso, a parceria da AkzoNobel no relacionamento com as mulheres selecionadas será feita com a ONG Aldeias Infantis.
“Já temos uma parceria de mais de 5 anos com essa ONG, que é a maior organização de atendimento direto à criança no mundo. Com a parceria nesse projeto, pretendemos reforçar lares em que as mulheres são as chefes de família, junto ao programa de fortalecimento familiar do Aldeias Infantis SOS na região de Rio Bonito, da cidade de São Paulo”, finaliza Flávia.
THINK & DO
- Crie times multifuncionais. A partir dos talentos de pessoas com experiências e capacidades diferentes, é possível montar uma equipe que consiga lidar com todo o projeto, sem deixar nenhuma aresta de fora.
- Pratique a escuta ativa. Como o programa envolve pessoas de fora da organização, é preciso ainda mais ouvir o que elas têm a dizer. Quando se trabalha com pessoas em situação de vulnerabilidade isso se torna essencial, pois muitas vezes é necessário fazer adaptações para conseguir a adesão das pessoas e tornar aquela oportunidade útil para elas.
- Faça parcerias. Ainda que a sua organização seja um grupo, em muitos casos, ela não vai conseguir, sozinha, ter resultados tão bons quanto teria se tivesse apoio de outras entidades. Por isso, não tenha receio de procurar empresas para serem parceiras no seu projeto.
