Projeto Família Sem Barreiras transforma a experiência de trabalhadores da Accenture ao promover inclusão, empatia e suporte contínuo
Em 2020, com o início da pandemia da covid-19 e a ida das pessoas para o trabalho remoto, uma questão envolvendo diversidade se tornou muito evidente entre funcionários e o time de RH da Accenture: como os trabalhadores com familiares com alguma deficiência lidariam com a questão do home office a partir dali?
A Accenture, uma multinacional de consultoria de gestão, tecnologia da informação e outsourcing, já possuía um programa para profissionais com deficiência. No entanto, a pandemia trouxe à tona um novo desafio que envolvia os familiares e a vida íntima das pessoas.
“Trabalhando de casa, os pais com um filho com deficiência, por exemplo, ganharam repentinamente o desafio de conciliar trabalho e cuidado ao mesmo tempo e no mesmo ambiente. Além disso, com serviços se tornando remotos e outros profissionais sem poder sair de casa, muitas pessoas perderam redes de apoio essenciais, como terapeutas e cuidadores. A gente precisava pensar nisso com urgência”, conta Thamara Alencar, analista de diversidade e inclusão da Accenture.
Diante dessa realidade, alguns funcionários começaram a se reunir informalmente pela internet para trocar dicas, dar conselhos e compartilhar indicações de profissionais da área de saúde. Com o tempo, o grupo cresceu e surgiu a demanda por ações concretas além das conversas virtuais.
Assim, em junho de 2021, o time de pessoas da Accenture criou o projeto Família Sem Barreiras, uma iniciativa do Comitê Sem Barreiras de Inclusão e Diversidade.
O caminho
O Família Sem Barreiras foi criado com o propósito de oferecer um espaço de escuta, acolhimento e troca de informações entre funcionários da Accenture que possuem familiares com algum tipo de deficiência, como autismo, síndrome de Down e doenças raras.
O grupo segue uma dinâmica de encontros quinzenais, mesclando momentos de acolhimento para novos integrantes e debates de temas conforme cronograma criado para atender as pautas consideradas necessárias pelo grupo.
Em 2023, o grupo contava com 65 participantes de diferentes áreas, como operações e tecnologia, e de cargos diversos. corporativas, e era liderado por André Fiorilli, diretor da área de tecnologia da Accenture.
Além disso, o grupo possui sete integrantes responsáveis por três pilares principais: Acolhimento (integração de novos participantes), Comunicação e Eventos (realização de eventos e postagens informativas), e Benefícios (esclarecimento sobre coberturas do plano de saúde e benefícios oferecidos pela empresa, abrangendo não apenas o atendimento do funcionário, mas também de seus dependentes).
Resultados
Um dos temas mais debatidos entre o grupo e que ganhou destaque foi a questão do autismo, com pais com filhos autistas debatendo o assunto e levando a pauta para as demais pessoas da empresa, quebrando estigmas e promovendo conhecimento.
Em abril de 2023, mês em que é celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, o grupo organizou webcasts para toda Accenture, nos quais psicólogos e associações externas foram convidados a contribuir com o tema. “A rede de apoio nesse sentido tem sido fundamental. Cada família tem um cenário diferente. Uma lida há mais tempo. Em outra, o diagnóstico é recente. É essencial trocar aprendizados”, analisa André Fiorilli.
Segundo ele, os funcionários comentam sobre o Família Sem Barreiras e dizem sentir que, na Accenture, podem desenvolver suas carreiras com segurança, pois veem exemplos de pessoas com deficiência subindo de nível ali dentro e encontram outras em cargos de liderança com filhos autistas.
Como resultado do Família Sem Barreiras, aproximadamente 533 pessoas foram beneficiadas, desde a participação ativa no grupo até participantes esporádicos de ações específicas. “O retorno dos funcionários tem sido muito positivo. Escutamos eles falarem coisas como ‘Aqui a gente consegue trazer as nossas frustrações e nossas alegrias, conseguimos celebrar cada pequena conquista’. Isso é incrível. Nas pesquisas de clima que fazemos, a questão do acolhimento tem sempre destaque”, diz Thamara.
Para 2024, o grupo pretende promover mais palestras com toda a empresa, além de ampliar o escopo das discussões. Há a intenção de falar mais sobre TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), por exemplo, transtorno que ainda não é visto como uma deficiência.
THINK & DO
As dicas da Accenture para quem deseja criar um projeto semelhante envolvendo diversidade e grupos de escuta
- Tenho um interesse genuíno. O primeiro passo para dar certo é colocar para gerir o programa pessoas que gostam de pessoas, que tenham escuta apurada, que tenham prazer em sentar e conversar, que gostem de tratar de diversidade.
- Faça um trabalho diário. O projeto não vai durar um dia. O tema da diversidade e de familiares com alguma deficiência é complexo e exige atenção e conscientização diárias, com lideranças devendo apontar a importância do projeto e se tornando embaixadores e incentivadores.
- Comece de algum lugar. Não tenha receio de começar pequeno. Com vontade, você começa com duas pessoas. Com esforço e interesse, o projeto só irá aumentar.
- Seja sensível. O tema é delicado e as histórias envolvidas são íntimas. Tenho cuidado e responsabilidade para conversar, acolher e apoiar.
