Accenture mira atração e desenvolvimento dos 50+

Programa Grand Masters, que busca atrair e desenvolver profissionais acima de 50 anos, capacitou mais de 1700 pessoas em pouco mais de um ano

Por Camila Pati

Com mais de 10 mil trabalhadores no Brasil, a atenção da consultoria Accenture ao recrutamento, a retenção e o desenvolvimento de profissionais acima de 50 anos tem origem nos índices oficiais sobre aumento da expectativa de vida dos brasileiros. 

O retrato atual do país, segundo dados do IBGE, mostra que quase um quarto da população tem mais de meio século de vida. “Grande parte dos brasileiros está envelhecendo e as pessoas 50+ têm desafios que são específicos a esse grupo”, diz Gabriel Crepaldi, analista de diversidade e inclusão da Accenture.

Com os dados oficiais em mãos, a empresa – a maior consultoria de gestão, tecnologia e outsourcing do mundo, mapeou seu quadro e verificou que 5% da força de trabalho já era formada por funcionários acima de 50 anos. 

A companhia tinha então um desafio: aumentar a presença e valorizar a bagagem desses profissionais, além de aplicar a experiência deles à forma de trabalho da organização. Para isso, foi criado o programa Grand Masters: experiência de vida aplicada à mudança, em julho de 2021. 

O caminho

Para abrir, de fato, oportunidades de transição e desenvolvimento de carreira a esse público, o projeto se divide em quatro pilares: atração; desenvolvimento e retenção; cultura e influência e posicionamento externo. 

Cada pilar do programa conta com sua própria agenda de atividades e um trabalhador que foi eleito embaixador daquela área. Um dos diferenciais é justamente o seu modelo de gestão, que desde a criação, é autogerido por um comitê multifuncional e mediado pelo sponsor do Grand Masters, o diretor executivo Alexandre Grizagorids. 

No pilar de recrutamento, em parceria com a Labora, uma startup focada na inclusão geracional nas empresas, a primeira ação da Accenture foi organizar um processo seletivo focado nesta faixa etária.

As ações voltadas ao recrutamento também envolveram planejamento de comunicação com a publicação de depoimentos de funcionários em redes internas e externas e de estímulo a indicações de candidatos 50+ em processos seletivos. 

Na área de desenvolvimento e retenção, são oferecidos treinamentos e acompanhamento especial para auxiliar na adaptação à função. Ao ser contratada, a pessoa é imediatamente conectada a um colega também 50+ que vai acompanhá-la durante os primeiros três meses . “Esse outro profissional Grand Master será ‘o anjo’, cuja função é auxiliar e tirar dúvidas”, diz Gabriel. 

Já no pilar da cultura, a empresa promove reuniões com foco na cultura organizacional da Accenture. Segundo Gabriel, foram realizadas diversas reuniões com o time de diversidade para entender as demandas específicas deste grupo. Também são realizados encontros com influencers 50+ e discussões sobre etarismo e gerações para líderes, equipes e funcionários em geral. 

O comitê do programa conta com 50 trabalhadores. O consultor Eduardo Gomes Moreira, embaixador de desenvolvimento e retenção do projeto, é participante ativo desde a sua criação. Segundo ele, um dos desafios da implementação da comissão foi não somente atrair os membros, mas também mantê-los ativos.

“Por ser um trabalho voluntário e ser algo novo, foi feito um esforço de convencimento para trazer essas pessoas para dentro do comitê”, conta. 

Para Eduardo, a autogestão e o protagonismo foram importantes fatores para o sucesso do projeto e das ações propostas para a população de Grand Masters da empresa.

 “O Alexandre Grizagorids nos explicou que precisávamos nos autodemandar. Assim começamos a criar as tarefas para o grupo”, diz. De acordo com ele, a estratégia trouxe mais autonomia e empoderamento: “não dependemos da diretoria para dizer o que temos que fazer”.

A oportunidade de conexão e entendimento de questões peculiares aos 50+ foi um fator importante para atrair os funcionários para a comunidade do projeto, segundo Eduardo. Ele destaca também o desenvolvimento propiciado pela experiência. “As pessoas aprendem muito com isso”.

O programa da Accenture foi o grande campeão do prêmio Think Work Flash Innovations de 2022 na categoria diversidade.

Resultados

O programa recebeu 7 mil currículos em seu processo seletivo. Durante a seleção, a empresa capacitou 1.700 candidatos com treinamentos profissionalizantes e contratou 137 trabalhadores em quatro meses. Já em 2022, uma turma de 46 participantes iniciou sua jornada na Accenture.

Comemorando pouco mais de um ano, as vitórias do Grand Masters são muitas. Atualmente, o público total do projeto é formado por mais de 1.100 profissionais, sendo 6% da companhia, um aumento de 20% em relação ao ano anterior. 

Uma das vantagens da diversidade etária na empresa está na troca de experiências em prol do desenvolvimento. “Quando a gente coloca várias pessoas que são 50+ e que têm outras experiências de outros projetos em contato com funcionários mais novos, eles conseguem aprender muita coisa uns com os outros”, explica Eduardo.

“Os Grand Masters têm muito a falar, gostam de falar e gostam de multiplicar conhecimento”, resume ele, citando ainda a mudança de mindset

Atualmente o programa está na etapa de criação das metas para 2023. Os planos para o futuro incluem trazer palestrantes para contar histórias inspiradoras aos funcionários. “Também queremos manter conexões com empresas do setor, promover eventos nesse sentido. Planejamos ações de mobilização a todo momento. Vamos seguir com treinamentos de etarismo e ações internas de cultura”, garante Gabriel.

THINK & DO

  • Trabalhe em equipe. Reúna as pessoas e entenda o que elas têm em comum e quais suas dificuldades;
  • Antes de qualquer ação, mapeie todo o cenário. Tenha um norte de dados e de objetivos bem definido;
  • Cada indivíduo tem seu leque de habilidades e potencialidades. Saber identificar e usar essas aptidões pode significar o sucesso do projeto.