Anthropic cria índice para monitorar impacto da IA sobre empregos

Índice da Anthropic tenta antecipar efeitos da IA no emprego ao mapear ocupações mais expostas à automação

A Anthropic, desenvolvedora do modelo de inteligência artificial Claude, lançou um índice para monitorar possíveis impactos da IA sobre profissões de escritório. O índice Anthropic de emprego pretende identificar sinais iniciais de disrupção no mercado de trabalho, antes que efeitos mais amplos apareçam em estatísticas oficiais.

O modelo foi apresentado em um estudo dos economistas Maxim Massenkoff e Peter McCrory, ligados à empresa.

Segundo os autores, ainda há “evidência limitada” de que a inteligência artificial esteja aumentando o desemprego nas ocupações mais expostas à automação. A proposta do índice é criar instrumentos capazes de detectar mudanças graduais que podem demorar anos para serem detectadas em dados macroeconômicos.

IA pode avançar mais rápido que sua adoção nas empresas

O debate sobre os efeitos econômicos da IA tem sido levantado pelo CEO da Anthropic, Dario Amodei. Em entrevista ao podcast Interesting Times, do The New York Times, ele afirmou que a capacidade técnica da tecnologia pode avançar mais rapidamente do que sua adoção nas empresas.

Segundo Amodei, a substituição de trabalhadores depende não apenas da capacidade da tecnologia, mas da velocidade com que organizações conseguem aplicá-la em processos internos — um desafio ligado à transformação digital no RH.

Ele cita o exemplo do atendimento ao cliente. Em tese, sistemas de IA poderiam superar agentes humanos ao acessar mais informações e manter padrões de respostas mais consistentes. Na prática, porém, a substituição dos humanos pelas máquinas exige mudanças operacionais complexas, o que tende a retardar o impacto da IA nesses empregos.

Amodei também avalia que funções iniciais de “colarinho branco”, como revisão de documentos, análise de dados ou tarefas administrativas, estão entre as mais expostas à automação.

Quais empregos aparecem mais expostos

O índice mede o grau de exposição das ocupações à IA combinando três fatores: as tarefas que compõem cada trabalho, quais delas podem ser executadas por modelos de linguagem e quais já estão sendo realizadas por sistemas de IA.

Entre as ocupações mais expostas, segundo o estudo, estão:

  • programadores de computador (com cerca de 75% das tarefas potencialmente cobertas por IA)
  • atendentes de serviço ao cliente
  • digitadores de dados
  • especialistas em registros médicos

Por outro lado, cerca de 30% das ocupações analisadas não atingem o limiar mínimo de exposição, geralmente porque dependem de trabalho manual ou presencial – como cozinheiros, salva-vidas ou pedreiros.

Os pesquisadores afirmam que, apesar da maior exposição, essas ocupações não apresentam taxas de desemprego significativamente superiores às dos profissionais menos vulneráveis à IA. A diferença de desemprego entre os dois grupos aumentou apenas ligeiramente desde o lançamento do ChatGPT, em 2022, sem efeito estatístico relevante.

Há, contudo, um sinal de alerta: os dados indicam desaceleração na contratação de jovens, especialmente entre 22 e 25 anos, em empregos mais expostos. Isso sugere que cargos de entrada podem ser os primeiros afetados pela IA.

O índice faz parte do Economic Index, iniciativa da Anthropic que analisa o uso da IA na economia a partir de mais de 1 milhão de conversas anônimas com o Claude.

Os dados também mostram diferenças geográficas. Estados Unidos, Índia, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul lideram o uso global. No Brasil, a adoção do Claude ainda é baixa. Entre os usos mais frequentes no país estão redação e análise de documentos jurídicos (8,2%); criação e edição de ficção (4,7%); e revisão e depuração de código de programação (4,5%).

Apesar do esforço metodológico, o estudo tem limitações. Ele se baseia principalmente em dados de uso da própria plataforma Claude, o que pode não refletir o avanço de outras ferramentas de IA nas empresas.

Além disso, o indicador mede exposição potencial à automação, e não substituição efetiva de trabalhadores. Isso significa que o índice aponta quais ocupações estão mais vulneráveis à IA, mas não permite determinar se – ou quando – essas funções serão substituídas.

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