Pesquisa com 317 profissionais revela que, mesmo com riscos à saúde e ao trabalho, apenas 7% querem reduzir o tempo gasto em jogos online
O lazer é uma necessidade humana fundamental. É parte do que sustenta a saúde física, mental e emocional, ajudando a reduzir o estresse, manter o foco e recuperar a energia para enfrentar os desafios do dia a dia.
No entanto, na vida moderna, momentos que deveriam servir para restaurar o corpo e a mente muitas vezes se tornam terreno fértil para hábitos automáticos e vícios que, em vez de equilibrar, aprofundam o desgaste.
A pesquisa Think Work Market | Entre o alívio e o excesso, que ouviu 317 pessoas, mostra essa fronteira tênue.
Quatro em cada dez entrevistados afirmam estar insatisfeitos com o tempo que têm para descanso. Mas, em alguns casos, mesmo quando conseguem parar, as escolhas feitas nem sempre resultam em um descanso real.
Embora atividades positivas, como praticar esportes e momentos com familiares, sejam frequentes para cerca da metade dos trabalhadores (citados por 59% e 51% deles), costumes que podem ser viciantes e prejudiciais, como usar redes sociais e checar e-mails fora do horário de trabalho, são ainda mais comuns (89% e 79%, respectivamente).
Além disso, há percepções diferentes sobre os riscos de certos comportamentos. Enquanto um terço dos entrevistados afirma querer reduzir o tempo nas redes sociais, apenas 7% gostariam de diminuir os jogos online e somente 2% consideram parar de fumar, ainda que esses hábitos possam ter impactos severos para a saúde física, emocional e até financeira.
Impacto no trabalho e o papel das empresas
Nem toda rotina de lazer é nociva, mas o excesso e a repetição automática podem transformar atividades inicialmente prazerosas em fontes de desgaste.
Jogos de azar, consumo exagerado de álcool, pornografia e até práticas aparentemente inofensivas, como maratonar séries, podem ocupar um espaço desproporcional no dia a dia, prejudicando o sono, as relações sociais e a capacidade de concentração.
A pesquisa da Think Work mostra que 51% das pessoas se distraem com assuntos pessoais durante o expediente ao menos algumas vezes por semana, e 52% já sentiram que o excesso de atividades fora do trabalho comprometeu sua performance profissional.
Ao mesmo tempo, condutas mais restauradoras têm baixa presença no cotidiano: 75% raramente ou nunca tocam um instrumento, 76% não participam de atividades artísticas e 54% raramente saem com amigos.
Embora a escolha do lazer seja pessoal, as empresas têm um papel decisivo na forma como seus colaboradores equilibram descanso e produtividade.
Uma cultura organizacional que normaliza o trabalho fora do expediente ou ignora sinais de sobrecarga, por exemplo, contribui para perpetuar hábitos prejudiciais.
Por isso, promover limites claros, oferecer canais de apoio (inclusive com opção de anonimato) e preparar líderes para identificar comportamentos de risco são ações estratégicas. Incentivar hobbies saudáveis, valorizar o descanso e respeitar a desconexão não são apenas práticas de bem-estar, mas medidas que preservam talentos, reduzem afastamentos e mantêm as equipes mais engajadas.