Plataforma utilizada para outros propósitos foi repensada para ação que promove o engajamento e a cultura da companhia
Por Fernanda Vasconcelos
A rotatividade de funcionários é uma característica das empresas de call center, que têm por hábito contratar muitos jovens para o primeiro emprego.
Para resolver essa questão e manter os profissionais por mais tempo na equipe, a Cobmax, companhia especializada em vendas, costumava criar ações presenciais de engajamento aos trabalhadores.
Dentre os vários eventos, eram realizadas festas para comemorar metas, eventos temáticos ou mesas enfeitadas nos escritórios. Mas a pandemia chegou, e com ela, tudo mudou.
“Com a equipe trabalhando de casa, nos vimos sem nossas ferramentas tradicionais de engajamento. Queríamos e precisávamos reforçar os valores da empresa, ainda mais para os que estavam sendo contratados remotamente”, conta Paula Cristina de Oliveira Pagani, analista de People Experience da Cobmax.
Para ela, a ideia simples de premiar funcionários por desempenho não era uma opção, pois não transmitia a concepção de equipe que a companhia preconiza. “Mais de 80% dos nossos trabalhadores são muito jovens, eles prezam por ações, por atividades”, afirma a executiva.
O caminho
A ideia para solucionar o problema começou por meio de um comitê, criado em abril de 2020. Nele estava o time de recursos humanos, de comunicação e funcionários que eles chamam de “guardiões chave”.
Esse grupo, escolhido a dedo, é muito importante para a organização. “Temos oito valores fundamentais na empresa e desde sempre escolhemos os profissionais que mais os representam para ser o esteio e o exemplo desses valores. Eles nos ajudam a criar ações que deem continuidade ao cerne da Cobmax”, conta Paula.
Os valores dos guardiões chave são: respeito sempre, agir como o dono, quebrar paradigmas, desafiar limites, gerar impacto, ser ágil, criar experiências marcantes, e ser um data lover.
Surgiu então a ideia de usar a plataforma Max Challenge, que já era utilizada para comunicação social e treinamento, como base para jogos online.
“A ideia não teve um pai, sabe? Ela foi sendo construída em nossas reuniões de comitê”, diz Paula. O custo foi zero porque usou recursos tecnológicos já existentes na Cobmax.
Durante dois meses, um desafio relacionado a um dos valores da empresa era divulgado semanalmente. Os funcionários tinham três dias para concluir as missões, que envolviam tarefas como responder a uma caixinha de perguntas, completar um quiz ou gravar vídeos.
Assim, por meio da gamificação, o projeto conseguiu não somente promover a interação entre os trabalhadores nas missões, mas também conectá-los à cultura da companhia.
Ao realizar as missões, os profissionais somavam pontos e, ao final, as três pessoas com melhor desempenho recebiam moedas virtuais, que podiam ser trocadas por produtos na plataforma ou vouchers do iFood e lojas virtuais, como as Lojas Americanas.
“Distribuímos muitos prêmios como mouse pads e camisetas da empresa, que já faziam sucesso nas nossas ações presenciais.”, diz Paula.
O projeto da Cobmax foi finalista do prêmio Think Work Flash Innovations de 2022 na categoria cultura organizacional.
Resultados
Além das comunicações à equipe interna, os desafios e resultados também eram divulgados nas redes sociais, como uma estratégia para transmitir a cultura e os valores da companhia ao público externo.
Desde abril de 2020, o Max Challenge teve mais três edições, com temas como carnaval, inverno e halloween. Ao todo, 12 pessoas foram premiadas.
Segundo Paula, “quase todos os funcionários participaram das tarefas e um interesse maior de pessoas externas buscando a Cobmax foi notado. Nosso maior ganho não foi financeiro. Foi na manutenção do profissional como um ser que faz parte de um todo. Medir exatamente isso é impossível, mas percebemos no dia a dia.”
Depois disso, em junho de 2020, a empresa foi adquirida pela Escale, uma startup de aquisição de clientes e inteligência de dados, e as ações foram interrompidas. “Agora estamos aguardando novas diretrizes para manter o Max Challenge”, afirma Paula.
A companhia, que tinha cerca de 700 funcionários em abril de 2020, passou a ter 500 após a fusão.
THINK & DO
Faça um diagnóstico prévio. Entender o cenário, seu público interno e o momento que a empresa está passando é fundamental para tomar ações de engajamento, segundo Paula.
Crie as ações de forma colaborativa. Ao invés de levar apenas a opinião de algum executivo, a Cobmax usou um comitê para idealizar a ação. É preciso envolver várias áreas, com líderes e profissionais de todas as esferas.
Ouça e acompanhe. Estar constantemente atento e conectado à equipe é fundamental para desenhar projetos viáveis e que façam sentido para todos. Peça dicas aos funcionários. Eles sempre terão sugestões, pois conhecem o dia a dia da operação.
