Trabalho para extrair e tratar os dados da empresa aproximou o RH das lideranças, trazendo mais eficiência aos processos
Por Guilherme Dearo
Com 12 anos de existência, a Evida, seguradora de saúde com sede em Brasília, fez um diagnóstico em 2021 e percebeu que havia certa lentidão na busca e análise dos dados internos da companhia.
A percepção era ainda mais nítida quando era necessário levantar dados dos funcionários de maneira mais precisa em questões como demografia e custos.
“Encontramos gaps dentro da área de RH. Tínhamos informações, mas os dados estavam fragilizados e havia pouca agilidade. Precisávamos refinar isso para obter melhores resultados”, conta Fabíola Pereira, gerente de desenvolvimento humano e organizacional da Evida.
A partir disso, Fabíola e o setor de recursos humanos propuseram às lideranças a adesão a novas tecnologias, que os permitiriam trabalhar com business intelligence (BI) e people analytics. A percepção era de que essas tecnologias tinham vindo para ficar, e precisavam ser exploradas ao máximo pela companhia.
O caminho
Após uma extensa pesquisa e a avaliação das diferentes ferramentas disponíveis do mercado, a área de RH da Evida passou, então, a usar um software da Microsoft para análise em BI. O programa Protheus também foi contratado para gestão de pessoas e a empresa passou a contar com um sistema paralelo de avaliação de desempenho, além de utilizar a consultoria da Great Place To Work (GPTW).
A partir disso, o time de RH passou a se reunir trimestralmente com a diretoria executiva para apresentar o dashboard construído com diversos indicadores, organizado a partir do trabalho em BI.
Os números, acredita Fabíola, trazem mais clareza sobre os custos e a arquitetura da companhia, como precisão de análise em salários, benefícios pagos, rotatividade, gestão de frequência e horas de trabalho, e avaliação de desempenho.
Com a adesão ao people analytics, a Evida conseguiu resolver questões de parametrização do sistema de informações sobre os funcionários e criar uma rotina de boas práticas na gestão de dados.
Os dados de people analytics foram essenciais durante um processo de BPO (Business Process Outsourcing) em 2021 e 2022, por exemplo. O BPO funciona como uma terceirização de certos setores de uma organização, que, a partir daí, consegue focar no seu core business.
No caso, a ideia era entender como a Evida iria se posicionar no mercado e quais decisões seriam tomadas na otimização de recursos em cada área, além de ajudar a traçar um diagnóstico financeiro preciso de cada segmento.
A sinergia entre as áreas de tecnologia e recursos humanos foi fundamental para estruturar o projeto. “O nosso contato foi intenso e as equipes se uniram. O pessoal de tecnologia mandava as informações e dentro do RH fazíamos o trabalho com os dados”, explica Fabíola.
Alguns profissionais das equipes também passaram por treinamentos para melhor se capacitarem para a implementação das ferramentas, como cursos em BI e people analytics.
O programa da Evida foi finalista do prêmio Think Work Flash Innovations de 2022 na categoria people analytics.
Resultados
O apoio das lideranças da Evida foi essencial para o sucesso do projeto. A alta administração da companhia passou a usar os dados gerados pelo RH, criando estratégias de negócios a partir das informações.
“As lideranças falaram que o RH tinha conseguido olhar para a companhia como um todo, o que era um feito muito importante. Eles também passaram a ter uma visão completa e aprofundada de seus times”, diz Fabíola. Segundo ela, os dados, aliados às pesquisas, mostraram os gaps dos times e o que precisava ser reforçado e trabalhado.
As equipes também perceberam resultados positivos. Para Fabíola, alguns funcionários sentiam falta de entender seu papel em um âmbito maior, olhando para a organização como um todo. “Com o projeto e as novas estratégias, muitos comentaram que agora entendiam mais para onde a empresa estava indo, tinham mais consciência do futuro e podiam traçar planos sobre como poderiam contribuir”, completa.
Para 2023, a Evida pretende refinar ainda mais os dados do departamento de pessoas com a estratégia de BI, além de levar essa cultura para outros departamentos da empresa. “Queremos que as demais áreas percebam a importância do BI para que possam ter novas ideias e traçar novas estratégias para toda a companhia”, diz Fabíola.
THINK & DO
- Pense no BI como uma ferramenta para atingir algo fundamental: transparência. O que não pode ser medido, não pode ser gerido, melhorado, corrigido. Ter transparência de informações e medições claras expostas para todos os stakeholders garante confiança e inteligência.
- Confie nos dados e na análise de dados. Se parece “muita coisa”, comece aos poucos, focando nos dados de uma única área ou processo, transformando-os em estratégia.
- As lideranças devem investir em dados e tecnologia e saber a importância disso. Investir em tecnologia não pode ficar em segundo plano, pois ela ajuda a levar a empresa a patamares nunca antes imaginados.
