Claro transforma funcionários em embaixadores, aumenta a atração e reduz a rotatividade de profissionais de tecnologia em 4 pontos percentuais
Por Simone Costa
A transformação digital tem gerado uma demanda crescente por profissionais de Tecnologia da Informação (TI) que o Brasil está lutando para atender. Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), apenas o setor de software e serviços precisará de 70 mil profissionais em 2024. No entanto, o Brasil forma apenas cerca de 46 mil pessoas com esse perfil.
A procura por profissionais de TI aumentou ainda mais durante a pandemia, à medida que as empresas aceleraram seus projetos de digitalização. Isso também aumentou a preocupação dos empregadores em reter seus profissionais.
Esse era o cenário na operadora Claro em julho de 2021, que estava enfrentando uma alta taxa de turnover entre seus funcionários. “A situação era mais crítica na área de TI”, afirma Eliane Zuin, gerente de recursos humanos da Claro, que conta com mais de 25 mil empregados.
Para entender melhor a situação, a empresa realizou um benchmarking para determinar quanto tempo um profissional de TI geralmente permanece em um emprego no Brasil. Entre as companhias pesquisadas, o tempo mínimo era de 13 meses, com uma média de 24 meses.
O caminho
Entre as ações para entender o que levava os funcionários a não permanecer na empresa, o RH aplicou uma pesquisa e um dos três principais motivos apontados foi a burocracia. “Eles relataram problemas com chamados, liberação de acessos ou de tecnologia, fluxos que precisavam ser simplificados”, conta Eliane. Além de aspectos relacionados às dificuldades técnicas para realizar o trabalho, os profissionais apontaram também processos demorados em outras áreas, como o próprio RH.
Com o apoio de um grupo multidisciplinar, um squad formado por funcionários de vários níveis e setores, o RH montou um plano de desburocratização. Batizado de Simplifica Claro, englobou 42 iniciativas para facilitar processos internos.
Ao mesmo tempo em que pavimentava o caminho para reter os profissionais na empresa, o RH focava no outro aspecto: alavancar a atração de novos talentos. “Nossos planos de contratação mudaram, fizemos parcerias com universidades, levando pessoas nossas para falar com eles, propondo desafios e premiações, ou seja, uma forma de aumentar a conexão da empresa com algumas universidades. Também fortalecemos aspectos de competitividade como a remuneração”, explica Eliane.
E quem melhor do que os próprios funcionários para falar sobre os aspectos positivos da empregadora? A partir desse insight, a empresa lançou os Embaixadores Claro, em maio de 2022, para atuar no LinkedIn.
Os Embaixadores Claro foram escolhidos a partir da observação de pessoas-chave, de diferentes níveis e setores, na área tech e digital, para a qual a Claro mais precisa reter e atrair talentos. Todos passaram por uma capacitação para entender como deviam se posicionar. “A ideia era tornar essas pessoas como referência entre os funcionários, alavancando o engajamento deles com a companhia, mas também atraindo novos profissionais”, detalha Felícia Fábula, analista employer branding da Claro, que explica: “Eles pensam e pedem ajuda para elaborar seus próprios conteúdos e também repassamos a eles informações institucionais. O grupo tem liberdade para postar ou não. Não é nada obrigatório”.
Os resultados
O projeto Embaixadores Claro tem sido um sucesso, gerando aprendizados valiosos ao longo do caminho. Os próprios Embaixadores têm fornecido feedback útil, como dicas sobre quais tipos de posts são mais e menos eficazes.
Desde o início do projeto, com 36 membros, alguns funcionários optaram por sair, reduzindo o número atual para 31. Com base nessa experiência, o RH está considerando mudar o processo de seleção, passando de indicações para um sistema de voluntariado.
No aspecto mais crucial, que é o fortalecimento da empresa como uma marca empregadora, há evidências claras de que o projeto Embaixadores Claro está no caminho certo. Entre maio e agosto de 2022, o perfil da empresa no LinkedIn experimentou um crescimento de 19% no número de seguidores. A meta de aumentar em 5% os seguidores de tech e digital foi mais do que alcançada, com um aumento impressionante de 10%. Além disso, as interações em posts sobre vagas dobraram no mesmo período, e o índice de compartilhamento subiu 72%.
“Alguns resultados não podem ser atribuídos apenas aos Embaixadores, mas eles definitivamente contribuíram”, celebra Eliane, gerente de RH. “Entre 2022 e 2023, ano contra ano, conseguimos reduzir a taxa de desligamento do público de tech e digital em 4 pontos percentuais. Além disso, a contratação e movimentação interna desse grupo cresceu 70% no mesmo período.”
Esses resultados destacam o impacto positivo que iniciativas como o projeto Embaixadores Claro podem ter na retenção e atração de talentos, especialmente em áreas críticas como tecnologia e digital.
THINK & DO
Dicas para transformar os funcionários em embaixadores da marca empregadora
- Clareza sobre a finalidade do embaixador. Na Claro, seu objetivo é criar referência da marca como grande empregadora de talentos, principalmente de tech & digital. Mas o papel de um embaixador pode ser utilizado para fortalecer outros aspectos da marca. “A partir daí, é possível entender se precisa de um embaixador interno e outro externo”, diz Felícia;
- Escolha assertiva de quem vai desempenhar o papel. É preciso ter em mente que os colaboradores escolhidos estarão levando o nome da marca. Por isso, é fundamental observar o perfil de cada um, inclusive, pesquisando suas redes sociais, para entender se o que eles compartilham com seus seguidores têm a ver com os pilares da empresa;
- Manter o engajamento. Outro ponto importante é lembrar que o embaixador da marca faz um trabalho gratuito, ou seja, ele não é como um influenciador pago. “Temos de mantê-los engajados, destacando a importância do seu papel, para que eles se sintam parte. Não pode ser algo imposto”, diz Eliane.
