Comparação entre dados de pesquisas mostra como a adoção da IA segue um caminho semelhante ao da internet, com uso crescente e percepção pública ainda dividida
Há cerca de 25 anos, quase metade da população adulta dos Estados Unidos (48%) declarava nunca ter acessado a internet. O dado vem de uma pesquisa da Newsweek/Princeton Survey de 1998, que também apurou que apenas um quarto usava a rede quase todos os dias. Na época, o uso regular ainda era exceção e não regra.
Mas em junho de 2000, o cenário já havia mudado drasticamente: sete em cada dez pessoas já diziam ter acesso à internet. O uso intenso também ganhava espaço e 23% passavam mais de oito horas semanais conectados, conforme dados da NBC News/Wall Street Journal.
Apesar disso, o impacto da internet ainda não era consenso. Apenas 15% consideravam extremamente importante que crianças em idade escolar soubessem usar a internet. Para 10%, esse conhecimento não tinha qualquer importância.
Hoje, a história parece se repetir com a inteligência artificial.
Ferramentas como o ChatGPT, da OpenAI, e o Copilot, da Microsoft, já foram testadas por 74% dos adultos americanos, de acordo com a mais recente pesquisa da NBC News.
Ainda assim, 47% acreditam que proibir o uso de IA nas escolas ajudaria a preparar melhor os estudantes para o futuro, o que mostra que o debate sobre os limites do uso da tecnologia continua em aberto.
O ciclo de adoção da tecnologia?
Os paralelos entre a popularização da internet e da inteligência artificial nos convidam a refletir sobre como lidamos com inovações.
A adoção de novas tecnologias raramente acontece de forma linear. Primeiro vêm a curiosidade e o ceticismo. Depois, a presença tímida no cotidiano. Aos poucos, o uso se intensifica, os debates se aprofundam e as resistências cedem espaço à integração.
Foi assim com a internet. Pode ser assim com a inteligência artificial.
Mas há uma diferença importante. O mundo está mais acelerado, mais conectado e mais atento às consequências éticas e sociais da tecnologia. A IA surge em um cenário mais complexo, que exige não apenas adoção, mas consciência.
Se a história se repetir, os robôs poderão se tornar tão onipresentes quanto a internet. A questão é como vamos escolher moldar esse caminho.